terça-feira, 2 de março de 2010

Eu hoje



Aaaah, novamente a página em branco. Há ideias, disso tenho a certeza. Elas são como cogumelos, aparecem “do nada”, crescem furtivamente e algumas há que, pelas suas características, envenenam o meu bem-estar. Creio que ultimamente as minhas ideias enraizaram, foram ao mais profundo do “eu”, impregnaram bem a matriz do meu ser e alimentam-se em locais onde outrora não existia actividade cognitiva consistente.

As ideias são difusas, o futuro incerto e as vontades atropelam racionalidades e fazem emergir as subtilezas do ser.

Aquele passado que me construiu, tem ruido, como se os alicerces tivessem sido “co-roídos”. São vários os roedores e algumas as “ratoeiras” com que nos deparamos na vida, mas há algumas em que parece que não conseguimos escapar, ou não somos suficientemente ardilosos para não ceder perante o isco. Damos votos de confiança, compreendemos, aceitamos, enganamo-nos, viabilizamos, damos benefício da dúvida, desacreditamos…maldita burrice cíclica e sentimentalismo míope.

Não consigo entender porque é que ciclicamente encontro pessoas “iguais” e me deixo acreditar uma vez mais. Afinal também se vive sem aquela pessoa que julgamos tão interessante e original, até porque se essa pessoa não se tivesse eclipsado, não teríamos visto essas mesmas características (acrescidas de outras) em outras pessoas. Mas, a ilusão é perene e emergem os factores que nos devolvem o eterno deja-vu.

Poucas são as pessoas que (ainda) trago comigo. Felizmente tenho conseguido arejar as minhas carruagens, substituir passageiros, eliminar intrusos (ou “intrujos”), rastrear os restantes companheiros de viagem e condicionar o acesso. Falso modesto? Empertigado? Envaidecido? Prefiro precavido, previdente, cansado de doses excessivas de “boa-fé”. Estou em mutação. Já me “acusaram” de estar diferente, não desminto. Estou menos “eu”. Estou à procura de outro “eu” que conserve algum do passado, que analise melhor o presente e que tenha um amanhã em que, apesar de a chuva imperar e o frio penetrar pelos poros, seja cumprimentado por uma tonalidade clara no firmamento.


terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Água(ceiros)




Fiando-me na simbologia da água… bem que precisava de um aguaceiro pela cabeça abaixo. Não, não julguem que me está a faltar a água em casa ou que ensandeci.

Não posso deixar de referir que até sou apologista da chuva que acompanha muito bem um Inverno bem temperado. Gosto da chuva, não por ser do contra. Estar em casa e ver/ouvir a chuva a cair na rua tem a sua dose de bem-estar. Para andar (a pé) na rua também não é mau de todo porque as pessoas não deambulam por todo o lado; seguem em carreiros limítrofes, com as varas do guarda-chuva apontadas aos globos oculares dos mais incautos (principalmente quando o carreiro se movimenta no sentido contrário), visibilidade toldada pelo tecido impermeável e lá vão a varrer a vizinhança. Os que se esquecem do guarda-chuva vão de cabeça para baixo e a circular em nítido excesso de velocidade. A cabeça para baixo será para se protegerem das varas? Para não verem que está a chover? Será que a pinga no “cocuruto” é menos desagradável que no nariz? Não concordo, mas também cumpro este ritual sempre que necessário.

Bem, explicada a minha “não – embirração”com a chuva, fica por explicar a minha necessidade sentida de aguaceiro. Não referi a “chuva molha tolos”, nem a torrencial (entender-se-á porquê, julgo eu…). Um puro e simples aguaceiro. Algo que refresque, que molhe (porque ando à chuva). Se na simbologia a água representa uma alteração substancial no nosso estado, para um outro mais “purificado”, acho que estou a precisar de água fresca (não, não é a da musica da Dina). Não sei se a terapêutica deverá ficar-se apenas por “molhar a moleirinha”, mas acredito que não é apenas placebo.

Eh pá…recordei-me agora do Carlos Paião, que a chuva na sua Cinderela serviu de disfarce, mas não é o caso (apenas o refiro porque me lembrei da música).

Vá…venha de lá “uma chuvinha jeitosa” que me inspire. Que me refresque “corpo e mente” e me deixe apto (não mentecapto) para resoluções que se avizinham complexas…
(a música tem o seu quê de Passado e de Futuro…). A humilde foto saiu da objectiva da minha máquina.