segunda-feira, 21 de junho de 2010

Friendship


Não tem sido fácil vir até aqui explanar o que paira na minha mente. Não é que ela tenha andado vazia de conteúdo, mas o tempo e a vontade eram poucos.

Tenho estado numa de selecção. Não na de futebol, porque a essa auguro pouco futuro. É mais uma selecção de conviventes, comparsas de paleio e de “amigos” ou pseudo-amigáveis personalidades que determinadas circunstâncias nos fazem toldar o raciocínio lógico.

É incrível como nos deixamos levar. Vamos indo, embalados pelos encantamentos alheios, ao som das nossas necessidades pontuais, na divina resposta às nossas monótonas e pesadas preces. Afinal, sempre aparece alguém interessante no nosso caminho. Mas, não estando o “pacto” alicerçado, tudo se esfuma e de essencial se passa a supérfluo e de supérfluo a volátil, isto é, do “horário”, passa-se semanal, quinzenal, mensal…desaparece-se. Creio que o segredo está em sabermo-nos fazer desaparecer antes que nos apaguem, ou então fazer para que não tenhamos o nosso “status amigável” em rápida e quiçá irreversível fase adiantada de decomposição.

Com o passar do tempo, são os amigos que nos agarram o presente, com os pés bem vincados no passado. Estar à beira-mar, o mar no seu movimento cíclico, no seu vaivém que apaga as pegadas. Leva o que nos levou lá, mas não leva quem nos sustém. Oxalá tenha a capacidade de aproveitar a ondulação para deixar ir quem prende sem segurar e de deixar de segurar que não tem vontade de ficar.

Disse o poeta:

“Eras sobre eras se somem
No tempo que em eras vem.
Ser descontente é ser homem.
Que as forças cegas se domem
Pela visão que a alma tem! “



terça-feira, 30 de março de 2010

Vida




Entre o “ai vida, vida…” e o “ai a minha vida a andar para trás”, fica o “que vida” e tudo se poderá resumir dizendo que “a vida está pela hora da morte”. Esta última expressão poderá ser controversa, estranha. Diria mesmo que é uma frase “alternativa” porque não diz nem sim nem não, antes pelo contrário e vice-versa. Como já se depreende, ando com as ideias muito organizadas.


Não sei se o facto de abordar esta temática se prende por ter revivido o êxito “Esta vida de marinheiro”, mas não duvido que o talento do artista não tenha a sua cota parte de responsabilidade.

Um poeta de excepção (devidamente musicado) diz que “a vida é como uma corda/de tristeza e de alegria/que saltamos a correr/pé em baixo, pé em cima até morrer/Não convém esticá-la/nem que fique muito solta/bamba é a conta certa…”. Há alturas em que apertamos demasiado com a vida, arriscamos, vivemos no limite, ansiamos por mais e mais…outras há em que a vida parece que está quase a dar o “tilt” e afinal todo este viver (ou sobre-viver) não passa de uma série de acrobacias num trapézio sem rede.

Da vida muito se poderia dizer. Tem fases preenchidas, tem fases vazias…fases em que se precisa de espaço, outras em que nos sentimos asfixiados. Há momentos intermináveis e infindáveis instantes…quase que são como o mar, em que “há ir e voltar”, como que aquele movimento vaivém das ondas…agora que penso nisto parece-me uma metáfora bastante plausível…a vida como o mar (lá vai para segundo plano a ideia da corda bamba). A vida é ou não cíclica? A minha parece ser… A vida traz vida, dá vida, tira a vida… é monótona e agitada. Tem marés altas e baixas (e marés negras…). Ah, como sabia bem agora um zéfiro com maresia acompanhado de um ruidoso silêncio revigorante marinho… Bem, a distância apenas me permite o ensurdecedor murmurar da serra. Vou pensar no que irei perguntar “ao vento que (aqui) passa”.