quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Pode alguém ser quem não é?



Pode alguém ser quem não é?

Creio que não se pode tropeçar na (sur)realidade durante muito tempo, nem fintar o futuro, fazendo do presente uma farsa sob a forma de disfarce do passado.

Sou o que sou, sou só o que sou, sou apenas sendo o sou (e acho não ser pouco). Perante um presente constantemente descalço, reavivam-se nós de saudade que, miscigenados com a visão de turvo futuro podem fazer-nos descolar o ser que somos, mas daí a sermos o que não somos tem que ir uma larga distância…apesar de não faltarem exemplos de fachadas de edifícios ocos.

As trapaças da vida são constantes, os empecilhos assumem a filosofia boomerang e a vida segue… Concordo que momentos vãos exigem que o “eu” seja camuflado, mas até que ponto? Ok, entendo e subscrevo a importância das circunstâncias, mas aqui o “velho” cansaço traz o efeito do azeite em solução aquosa, isto é, o que somos emerge e, para o bem ou para o mal, salva-se, revela-se. Não implica necessariamente a nódoa no pano “melhor”, mas o sentir pousar os pés no chão ao som do desabafo: Afinal…

Têm prioridade as verdades nuas e cruas, ou deve dar-se prioridade às versões carnavalescas e ao som das modas? Até aqui se recomenda uma utilização moderada sem riscos para a saúde? Tudo é veneno, nada é veneno…a diferença está na dose?

Bem, se há texto confuso neste blog, este “está lá”. Termino com duas músicas e o excerto de uma delas cujo título está plagiado no título deste post:

Seja um bom agoiro
ou seja um mau presságio
sonhei com o choro
de alguém num naufrágio
não tenho confiança
já cansa este esperar
por uma carta em vão




 

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Sopa de letras



Hoje a escrita vai verter sobre algo não alimentar, apesar do título “sopa de letras”. Também não se trata de passatempos, até porque era exagerado chamar passatempo a isto que cá escrevo…não tem a seriedade necessária e nem sei se cumpre os requisitos mínimos para contribuir para que o tempo passe ou alguém se passe com o tempo que não passa.

Em filosofia de “come e cala”, a sopa de letras vai ser baralhada! De nada adiantou o trabalho que outrora tiveram com os “cês” e os “pês" antes de outras consoantes porque primeiro emudeceram e agora desaparecerão. Bem ou mal, vamos todos ter que comer da mesma (a)malga(ma) de sopa, até mesmo os que são "sopofóbicos"!

Para os mais tradicionalistas seria óptimo o facto de não tornar correto o ótimo fato – mesmo quando de vestuário se está a falar.

Serão vários os tropeções e muitas graças serão dadas às aplicações informáticas que nos ensinarão novamente a escrever ou a reescrever alternativamente segundo a machadada dada no cocuruto da fala dos lusitanos.

Terminando este comentário, artigo, mini-pseudo-dissertação no que à sopa de letras diz respeito, aproveito para informar que há uns meses sofri do mal da observação condicionada pela imagem. Deparei-me na rua com um cartaz cujas letras estavam tão alternativamente dispostas que me fizeram parar e pensar no que estava a ler. O cartaz dizia NOMEANSNO e onde deveria ter lido NO  MEANS  NO eu li NOME ASNO. 

Escusavam de me ter passado esta rasteira e alguma “asneirice” devo ter tido para ler daquela maneira, mas não podem contudo dizer que não era uma leitura possível.

Sei que a música que se segue em nada se relaciona com o texto, mas apeteceu-me ouvir e partilhar! Não sei se já cá está no blog…se não está, bem que já podia estar!