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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Esferas


A vida é um fenómeno circular, fechado. É compacta e oca, pesada e leve, lisa e áspera, vai rolando e oxalá tenha um fim perfeitamente redondo.

Enunciando esta teoria “bolástica” da existência, poderia ter escolhido outra palavra, mas acho que esfera dá outra perspectiva, como que um outro peso à ideia (sim, que as ideias também têm o seu “quê” de peso).
A minha esfera tem circulado “por aí” já há alguns “meses” (não interessa quantos) …apresenta desgaste, mas tanto se faz valer dos planos descendentes para descer, como do balanço resultante para subir - relembrando as aulas de física…também aqui não posso deixar de desprezar o atrito que, aqui, também é uma “força menor” que apesar de ser contra não tem sido suficiente para alterar o movimento.
Muitas são as vezes em que a nossa esfera se cruza no caminho com outras semelhantes, acompanha as suas viagens e é acompanhada por outras… como se de um enxame de esferas se tratasse, mas sem as asas e os zumbidos…porque a esfera a rolar já é “coisa” para emitir ruído que baste. Há alturas em que a nossa esfera como que encolhe, perde peso e vamos como “esfer(a)ovite”. Voamos, vamos para onde quer que seja. Depositamos a confiança no vento ou, simplesmente, soltamos a força da gravidade, baixamos as resistências e deixamo-nos ir “indo”…quiçá deixar que o vento nos leve para longe, para outras paragens, para outros andamentos…para um carreiro solitário, para junto de outras esferas etéreas mas voláteis…
Bem, certamente a esta altura estarão a pensar que considero a minha vida como o (saudoso) jogo do berlinde. Não é uma ideia de todo errada, mas a “arbitrariedade”deste jogo raramente se manifesta. Como que há um “esferismo” ou “berlindianismo”muito próprio e, talvez, cíclico. Será tempo de renovação do “enxame esferal”?
Não há esferas que fiquem para sempre (a rolar ou paradas connosco…).
Para terminar o post e debruçando-me sobre a habitual música, era previsível demais a inclusão da musica “esfera” do P. Khima, pelo que optei por estas...





terça-feira, 6 de outubro de 2009

Out to...



O mundo pula e avança e, muitas vezes, temos a percepção que não saímos do sítio. Outras vezes, porém, parece que estamos a dar um “passo de gigante”, mas não saímos da “cepa torta”. Resumindo, e baralhando, devemos ter um ligeiro problema de noção espacial que não nos permite ter a noção do real alcance das nossas acções.


Algumas vezes são pormenores que nos escapam, noutras hiper-valorizamos as denominadas “merdices” (desculpem a linguagem prosaica). Então o problema será a linguística? Uma questão de (des)atenção?

Pelos vistos não são só as conversas que são como as cerejas…ou se o “cerejismo” for exclusivo do diálogo, diria que as questões são como os tremoços ou os amendoins, até porque são mais calóricas e substancialmente mais prejudiciais à saúde (se bem que também podemos considerar que são elas – as questões – que nos fazem crescer, em analogia ao alargamento anatómico garantido pela ingestão abusiva de amendoins…).

Mas então esta falta de percepção dever-se-á a quê? Egocentrismos insípidos? Visão afunilada? Falta de feedback? Hum, poderá pensar-se que se deve a momentos em que não se afigura ocupação e então a mente materializa questões sobre interrogações acerca das perguntas resultantes de inquirições duvidosas sobre o materialismo da dúvida. Não tenciono que me respondam a estas dúvidas, até porque os resistentes do blog são cada vez menos e os comentadores são auto-reply que agradeço…

Quando o existencialismo tende para “desistencialismo”, o subjectivismo perde valor e a vida sobrevoa, sobrevive… é garoa, uma teimosa chuva “miudinha” na manhã cinzenta, um nevoeiro que torna ébria a acuidade visual e que nos deixa ir, ir indo…caminhando, deambulando em passo lento, sem saltar barreiras, pé ante pé cumprindo respostas inatas numa vã competição entre pés para ver qual chega primeiro a uma meta indefinida, baça, escondida no nevoeiro…

Sei só o que sei,
Sem saber o que não sei…
Sabedorias sem cor,
Sal de um branco incolor,
Névoa que não passa,
O vento sopra, expira, passa …
O mar ao fundo,
As marés que se renovam
E eu a saber o mesmo, um vazio fundo
A saber a sal, sei, afinal
Que nascem, crescem, não morrem…mas voam.



Out to get you (James)

I'm so alone tonight
My bed feels larger than when I was small
Lost in memories, lost in all the sheets and all old pillows
So alone tonight, miss you more than I will let you know
Miss the outline of your back, miss you breathing down my neck
All out to get you, once again, they're all out to get you, once again

Insecure, what ya gonna do
Feel so small, they could step on you
Called you up, answer machine, when the human touch
Is what I need, what I need is you, I need you

Looked in the mirror, I don't know who I am any more
The face is familiar, but the eyes, the eyes give it all away
They're all out to get you, once again, they're all out to get you
Here they come again

Insecure, what ya gonna do
Feel so small, they could step on you
Called you up, answer machine, when the human touch
Is what I need, what I need is you

Let me breathe, if you'd let me breathe
They're all out to get you, once again, they're all out to get you

terça-feira, 14 de julho de 2009

Tempo



Esta coisa a que chamamos tempo é muitas vezes utilizada para desbloquear uma conversa que se prendeu no desconhecimento, na timidez ou mesmo na falta de assunto. É certo que, por vezes, nos deparamos com pessoas do tipo gralha que parece que inventam o que dizer, têm sempre algo a contar, uma opinião formada e decidida sobre tudo (raras vezes fundamentada), mas há outras que parecem penedos com olhos, que apenas fazem cíclicos movimentos com as pestanas e tentam esconder-se, transmitindo alheamento no olhar. É com estas últimas que melhor resulta a célebre: “este tempo está cada vez mais esquisito” (frase “intemporal”) ou então “tem estado muito frio/calor” (que necessita de adaptação consoante a aplicação em específico).


Bem…voltando ao tempo, não era do atmosférico que me tinha passado pela cabeça escrever, vou abandonar o tempo do termómetro, para o tempo do relógio (mania de arranjar sempre objectos e unidades de medida…).
Parece que o meu tempo de isolamento chegou. Apesar de não estar com a afamada gripe A (pelo menos não se manifestaram sintomas), parece que tudo o que outrora tinha à minha volta se dissolveu. Se outrora me cheguei a sentir só no meio da multidão, neste momento nem multidão tenho. Esta “privação de socialização” ajuda a contactar com a realidade, colocar de parte alguns sentimentalismos e esclarecer relativamente ao grau de importância que temos para os outros (e que os outros têm para nós). Isto não é um lamento, até porque esta mudança de distrito de residência (e perceberão porque digo distrito e não concelho), permitiu-me conhecer mais algumas pessoas extremamente interessantes e compatíveis com a minha pessoa…a ver vamos a duração e resistência destes novos “laços”…

Pronto, por hoje parece-me lavada a alma…ou, pelo menos, mais leve…faz-me bem expirar por escrito. Se acharem que se aplica, sigam a música e digam algo, não necessariamente a mim, mas a alguém que vos diga “algo” e a quem ainda não disseram tudo, nem estão reféns da pergunta do tempo.