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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Chama(s) ?


Isto de chamas de Verão (felizmente) tem estado calmo aqui no nosso rectângulo encaixado à beira-mar. Mas, nos Verões além das chamas no seu sentido mais “fogueado”, também são frequentes as de outro tipo que surgem na Primavera e que no Verão “chamam” pelos “ouvintes” (sim, porque há gente que faz “ouvidos moucos” enquanto e quando pode).

São frequentes os incêndios, ou fogos de Verão, que muitas vezes queremos deixar arder (não me refiro aos impunes pirómanos), os que ardem bruscamente e os outros em lume brando…há, ainda, os que tentamos apagar de imediato.

Entre chamas incomodativas, chamas quentes (sem fazer o previsível, fácil e brejeiro trocadilho com as brasas), chamas destruidoras, ou chamas “esterilizadoras”…a estação estival poderá ter de tudo ou de tudo um pouco. Só não parece muito viável como se consegue, por vezes, apagar fogos e deixar-se arder em simultâneo (raios…este post está perigoso porque a brejeirice está periclitante… nada de referências a individualidades “ardidas”). Como se se pudesse escolher por qual chama se quer deixar queimar, ouvir o fogo a estalar, o ambiente a aquecer… o limbo da ignição, a incerteza da propagação e a hesitação do rescaldo…

Bem, a perspectiva pode ser comodista, mas creio que se recomenda o “deixa arder”, ter noção da saída de emergência mas, ao mesmo tempo, saber quando, como e se se deve alimentar o fogo.


Vai um mergulho?




Fahrenheit (Clã)

Não ouviste o fogo a arder
Não sentiste o mercúrio à Volta
A subir em flecha a subir em ti
A subir no sangue a acender o corpo
Não ouviste o chamamento
Os tambores tocando ao relento
Palcos em chamas cabelos ao vento
Incêndio de Verão
lavrando o chão

Fahrenheit a noite estala
Parte a escala
Fahrenheit a noite estala
Sente o fogo a arder
Fahrenheit a noite estala
Explode a escala
Fahrenheit a noite estala
Ouve o fogo a arder

Não ouviste o fogo a arder
Não sentiste o mercúrio à volta
Guitarras em fúria
Lanternas no ar
Vozes a cantar em tons de gasolina
Não sentiste a queimadura
Não sentiste a alma pura
Não ouviste o eco chamando outro eco
O fogo lambendo o teu coração seco

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Veraneios


Verão, calor, sol, praia… vida em tons ruborizados do sol…do calor… do “ar quente” que nos eleva a existência do ser.

Tanto calor…suores… desesperos suados por uma brisa fresca, uma ondulação batida a ritmo num paredão irregular e quase sem forma que nos faz, finalmente, sentir uma frescura longínqua que, como diriam os matemáticos, “tende para infinito” mas que está mesmo ali ao nosso alcance.

Esta é a época em que foguetes sobem no ar (iguais aos de sempre?) provocando um exercício de movimentação da musculatura do pescoço de forma a permitir que os olhares curiosos possam admirar tal espectáculo, sempre na expectativa de visualizar algo novo, minimamente diferente.

São músicas que surgem, ressurgem e fazem os corpos repetir coordenada ou descoordenadamente as batidas de uma bateria intensa ou um solo de guitarra num movimento de amplitude dos braços com uma guitarra virtual junto ao corpo e com cordas fáceis de dedilhar em acordes nunca antes imaginados que acompanham letras mais ou menos lógicas e mais ou menos fieis ao original ou, então, com sonoros “na, na, na, na” que substituem qualquer poema de difícil repetição.


Falta agora ver o Verão e esperar novidades…. das “frescas”.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Praga de Verão

Seria muito mais interessante escrever sobre um Verão em Praga, mas como as circunstâncias levaram a que este Verão fosse passado em território luso, resta escrever sobre a praga que está a assolar o nosso país neste Verão (tal como em muitos outros).
Pois bem, não tenciono escrever sobre uma qualquer praga de insectos que teimam em picar desde o mais distraído até ao mais atento dos veraneantes, provocando pruridos nos locais mais diversos e que, por vezes, “não lembram a ninguém”! A “praga” a que me refiro são os nossos “queridos” (?) emigrantes que se transformam em “ocupas” na estação estival deste nosso rectângulo á beira-mar. Para que não me julguem precipitadamente, asseguro-vos que não tenho nada de pessoal contra os ditos emigrantes, mas queiram verificar se isto que escrevo é ou não verdade.
Segundo os dicionários, praga é “acto de imprecar males contra alguém; maldição; flagelo; coisa ou pessoa importuna; abundância de coisas prejudiciais ou importunas”.
Estamos cercados por eles, eles voltaram para conquistar o que tinham deixado para trás. Mas, não se trata de um colonialismo banal e supérfluo, eles chegaram para mandar em tudo e todos, por razões ainda não esclarecidas, mas que suponho serem devidas a algum recalcamento ou repressão resultantes dos restantes dias do ano em que o seu habitat é o país de acolhimento.
De entre os vários emigrantes no seu êxodo de Agosto, têm destaque os provenientes de França! Esses que outrora falariam muito dos “camones”, estão agora transformados em “avecs”, cuja permanência em terras lusas não passa despercebida a ninguém, por vontade dos mesmos que teimam em não controlar a emissão de decibéis muito acima do normal para um simples diálogo.
Estes “emigras” cujo “portuguesismo” consiste em lutar contra o encerramento de embaixadas e em assistir aos jogos da “nossa selecção” (muitos deles provavelmente à espera de boas exibições do Baía ou do João Pinto), passeiam-se no nosso país fazendo questão de dialogar na língua da sua pátria-mãe França, a não ser que tenham que dar algum sermão aos descendentes, ou então evocar um “chorrilho” de asneiras em português fluente e claro, mas que os não dignifica em nada. Terminado este intervalo na língua de Camões (ou… do Zé Povinho), regressam ao seu francês de origem para, de uma forma hierarquicamente superior, exprimirem aos seus súbditos portugueses as vontades e desígnios.
Em suma, está ou não confirmada a definição de praga?
Vejamos, se são portugueses, se estão em Portugal e se amam tanto a pátria, para quê estar cá a falar francês?
“Mes amis”, porque não se deixam ficar por França? Porque é que não combinam uns com os outros e vêm de forma faseada? É que assim não há “portuga” que aguente!
A vós, “portugas de gema” deixo-vos um recado: tenham cuidado, “eles andem aí”.