terça-feira, 20 de janeiro de 2015

(Num) Nó







Nó na garganta, nó cego, nó dos dedos, de gravata, da madeira… mente a divagar a muitos nós, entre caminhos meus e outros alheios ao meu conhecimento e vontade. Os pensamentos como que estão a deriva, a boiar num líquido denso, heterogéneo, por vezes transparente mas essencialmente turvo, “sem rumo nem Norte, sem rima nem mote…vão indo”.


Permanece aquela sensação que algo me prende aqui, ou ali. Nada de claro. Talvez um nó de uma corda comprida, de fios entrelaçados, não sei bem – não a vejo, mas às vezes sinto: “estás preso”! A corda estica, como o ar gélido que estala ao tocar a superfície da pele, e o deambular esmorece, o aleatório ganha rumo ou fica estático até ao próximo balançar da solução aquosa deste aquário sem paredes, sem vidros, sem pedras, sem peixes…


Por vezes este nó transforma-se, ganha leveza (e cor?), como que a corda se transforma em fita, e a crueza áspera acaba por se metamorfosear num volátil laço.


Nó de ideias, nó de existências, nó de previsões…turbilhão de dúvidas, conceitos, incertezas, factos, hesitações, vontades, indecisões e outros sinónimos intercalados com factos, ou factores.


Estique-se a corda. O nó aperta. Quanto à corda…

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Pelo direito ao esquecimento...ou pelo menos ao decoro





Pelo direito à indignação e ao esquecimento aqui ficam estas parcas linhas…

A minha entidade paternal dir-me-ia para não ser “complicativo”, mas fazer o quê? Sou assim!
Faço parte daquele grupo de espécimes que anuiu a facultar o contacto móvel aquela grande cadeia de hipermercados que começa com C, termina em E e tem no meio as letras ONTINENT.

A bem da verdade, começou por não me “consumir” o facto de de “longe a longe” receber mensagens a informar os artigos em fase promocional (podendo refletir-se no acto consumista ou na simples eliminação da missiva).

Eis que na passada semana a dita grande cadeia de hipermercados me diz: “a pensar em si: 25% de desconto em papel higiénico”. Ora bem, não posso dizer que me senti “feliz” (?) ao saber que a pensar em mim, me ofereciam dedução de um quarto de preço por um artigo de utilização num quarto de banho. Fosse eu perito em tirar conclusões precipitadas e iria borrar a pintura…

Hoje, estando ultrapassado o “trauma” higiénico, recebo nova missiva desta feita e novamente “a pensar em mim”, sou premiado com 25% de desconto em fraldas e toalhitas. Ora bem, se há caso em que se merece que não se lembrem de mim é quando se pensa em papel higiénico, fraldas e toalhetes, certo?

Tanto se falou neste verão do direito ao esquecimento, eu aqui preferia que a tal cadeia de hipermercados não tivesse especialmente pensado em mim, não desta forma. Haja esquecimento e haja, sobretudo, decoro… que outra promoção incontinente terei na próxima semana?

Isto foi só para arejar as ideias… dêem-me um desconto!