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domingo, 17 de agosto de 2014

Verdade?




Isto de falar sobre a verdade parece que tenho vontade ou necessidade de esclarecer algo, o que não é o caso.

Este tema, já agora, desperta-me alguma cogitação extra: verdade ou verdades? Será a verdade uma "coisa" que se reponha? Bem, a verdade não vem em stocks, se assim fosse então estaríamos perante uma verdade em fascículos ou então as ditas "verdades"...e porque a teríamos que restituir, afinal nada nasce torto? Acho que prefiro o "voltar a por", até porque assim parece que podemos estar a melhorar a verdade, repor pode parecer uma coisa "requentada" e já menos digna da verdade!

Este tema chegou aos meus ouvidos interrompido por diálogos familiares numa viagem de carro ao som de uma rubrica de rádio denominada o poder agridoce das palavras. Um poema que me pareceu muito interessante de um autor que até me tem feito pesquisar algumas vezes, vejamos:

Verdade (Carlos Drummond de Andrade)

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.


O autor diz-nos que afinal a verdade resulta de meias verdades...e para não piorar a sensação de dúvida e desnorte, termina dizendo que cada um pode optar pela sua verdade de acordo com o que lhe apetece estar de acordo (passando a repetição).



Que confusão? Pois claro! Na verdade, isto de pensar verdadeiramente na verdade acabou por não me deixar esclarecido.

A verdade, neste caso em forma pequena, também já estava na minha mente e com um poema que creio ser da autoria de Francisco Javier Lopez Limon

São as pequenas verdades
As que guiam o meu caminho
Verdades brancas
Como a manhã
Que abre a janela do nosso destino
Como o teu olhar
Quando tu me olhas
Como a tua lembrança
Depois de partires


E agora que diria Carlos Drummond? As suas meias verdades são as pequenas? São em partes iguais? Brancas como a manhã!

Bem, "na ciência" as verdades apenas o são hoje, até ser demonstrado o oposto ou o mesmo, mas mais além. Será que se pode generalizar? Ah, na verdade..

terça-feira, 25 de março de 2014

Smile






Quando as vírgulas ascendem e se tornam em aspas, algo não está bem! O que era acessório, informação adicional, perde objetividade e como que se transforma em algo pouco claro, num “diz que é uma espécie de”… excepto em caso de citação, mas isso, passando o pleonasmo, é uma excepção.


Vírgulas, pontos finais e outros artefactos mais podem fazer-me desviar do rumo que pretendo seguir, por isso vou tentar deixar para trás esta questão acrobática da pontuação.

Já não é de hoje que as coisas parecem que não vão bem. Não é que sigam mal, até porque nem tudo na vida é par ou alternativamente ímpar… direi que se vai passando entre os pingos da chuva. 


Bem, tanto devaneio e ainda não cheguei onde queria. Hoje deparei-me com uma música que me trouxe à memória algo que tanto aprecio e que nem sempre pratico: o sorriso! Não que seja ele um espelho da alma, longe disso. Mas ainda assim prefiro um fingido, o denominado “amarelo”… até mesmo o “de frete” é melhor que uma cara fechada, ausência de habilidade da contração certa dos músculos faciais ou garantir às faces uma geometria de linhas perpendiculares que em simultaneamente são paralelas a qualquer esboço de alegria ou felicidade.

Qual é o alcance de um sorriso? 

Cansaços à parte, até porque os cansaços também são argumentos gerais, abstratos e também “cosméticos”, isto é, óptimos de colocar à superfície, vou-me tentar munir dos meus melhores argumentos para tentar sorrir mais para a vida, porque não é fácil levar a vida a sorrir, mas é certo que a vida se leva melhor se for a sorrir!


A quem se tiver dado ao investimento do seu tempo a ler este exercício de plasmar em texto as minhas ideias soltas, deixo duas músicas. A primeira porque provocou este texto que andava latente, a segunda porque é um “clássico” e pela letra pouco esclarecedora…  

Complicativo?


If you smile
With your fear and sorrow
Smile and maybe tomorrow
You'll see the sun come shining through, for you

 


terça-feira, 13 de março de 2012

Há dias



Nunca fui pessoa de “escrita a dias”, tal como é demonstrado pelo último post e pelo “não rendimento” obtido com a actividade.
 
Há quem diga que dias não são dias…talvez os mesmos que aplicam a máxima que assegura que “uma vez não são vezes”. Outros atribuem títulos e títulos para que os dias sejam marcados: pai, mãe, mulher, avós, trabalhador, Portugal e Camões, Dia Mundial de Luta contra a Desertificação e a Seca (esta ordem não é cronológica ou de importância)…hoje foi dia de escrever!
 
Carlos Tê (se não me falha a intuição e a pesquisa) prefere afirmar que “há dias em os dias são como baloiços de bem e mal”.
 
Neste balouçar (ou baloiçar) do dia-a-dia é complicado manter o equilíbrio, a homeostasia… Com tantas bipolaridades as Lianores não conseguem por certo ir sempre à fonte fermosas e seguras. Algumas vezes o objectivo está em alcançar a fonte, outras em na forma como se segue “pela verdura”.
 
Metáforas campestres à parte, com tanto desequilíbrio financeiro, politico, ambiental, emocional e mental, resta a (vã?) esperança que hajam dias, de preferência dos “dias melhores” porque quem não se farta dos “dias assim-assim” ?
 
Acho que acalentados pela crença ou simples convicção no que (ou quem) quer que seja, devemos ter como nosso segredo para a nossa vivência (ou sobrevivência) a abolição de expressões como “há dias de manhã, que uma pessoa à tarde, não pode sair de casa à noite”, ou que o “dia não foi bom nem mau…, antes pelo contrário e vice-versa”.

Encerrando com a habitual componente musical, tentei limitar-me a 3 músicas. Mais alguma sugestão?








quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Perspectivismo




Ora, como diria o Palma, “cá estamos nós outra vez”.

Hoje, sinceramente, prevejo um “texto espremido”. Não sei bem o que escrever, nem consigo explicar o porquê de o fazer mas…apeteceu-me e não se contrariam…as vontades (nem os tolos!) e se fosse a escrever pelas circunstâncias, então teria muitas elipses no texto, ideias tipo boomerang, indefinições, pensamentos…cogitações de materialização complexa.

Certamente se soubessem a que me refiro desvalorizariam tanta interrogação, mas também vos garanto que muitas cogitações das vossas, para mim seriam mais simples e não o diria com sobranceria, nem por vingança. As nossas questões, os nossos problemas são nossos e os outros uma cambada (como diria o “Estebes”) que anda por aí de olhos fechados e que pergunta se está tudo bem como quem teima em espirrar para a mão (para quando uns cartazes com a etiqueta do “bom dia como vai”?); não pensa no contágio dos outros, nem tenciona que os outros o contagiem com os seus “mais ou menos” ou mesmo problemas.

Isto tudo para dizer que o nosso perspectivismo (e assumo que arrisquei esta palavra sem ter a certeza da sua existência) é que nos impele a caracterizar (como diriam os mais pequenos) como mais grandes os nossos quid pro quo’s, relativizando, “descomplicando” e mais facilmente resolvendo os alheios (será porque há informação que está a ser sonegada?).

Bem, não vou mastigar mais este assunto porque corro o risco deste texto parecer uma tentativa falhada de um post de auto-ajuda. Não tenho essa pretensão, nem capacidades para tal…arrisco apenas uns suspiros escritos.

Assim, e para terminar, materializo (?) em duas musicas o que quero dizer quando a perspectiva sobre um mesmo objecto/facto é sempre subjectiva, até com uma simples rosa branca...




quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Apenas e só...


A página em branco preocupa. O texto não aparece… bem, o texto não tem porque aparecer. Não tenho essa obrigação! Necessidade? Talvez…quem sabe? Eu sei… será que sei?

O que me está a parecer é que tenho os neurónios entrelaçados. É um labirinto de ideias, ou de ausência destas. Não há espaços em branco, a malha está a ficar fina e não há maneira do pensamento se sedimentar, de assentar, de passar pelo filtro imaginário que devia filtrar algumas informações e conteúdos que apenas existem para perturbar a “suave leveza do ser” (esta frase era de 1 spot publicitário que, de momento, não me ocorre de quê….espero não me vir a arrepender de o teu escrito).


Há alturas que o espírito americano se apodera e parece haver uma conspiração (cósmica?) para que haja um desatino generalizado. Convulsões de ideias, espasmos sentimentais, bipolaridade no ser, no ver e no estar… um autismo mascarado sob a forma de contentamento descontente, porque o descontentamento traz acoplado questões incómodas, repetitivas a que somos, na defesa do silêncio, obrigados a responder “sim”, “nada” e “tudo’s na mesma”.


Em momentos de diálogo surdo, resta-me escrever…falar de mim, comigo e para mim. Falar e adivinhar o pensamento, prever, sem surpreender, mas a tentar demover em questões (retóricas) a que a resposta ecoada e ressoa no anglicanismo: no sound available.


Mais não digo, não sei que diga…nem me apetece. Não vejo fundamento, conclusão possível e passível de alterar o que quer que seja o marasmo…”Lembro uma velha nora morrendo à sede de água”


segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Palavras para quê?


Entre a apatia e a hiperactividade cerebral, eis que surge mais um daqueles momentos de existencialismo posto em causa…

Aqueles momentos em que se procura a banda sonora mais adequada mas, mais mp3 menos mp3 ficamos na mesma. Mudasse de “onda” musical, mas o feeling é o mesmo. É como que um estado crónico de insatisfação musical e de incompreensão que, de tão incompreensível, chega a não permitir que se compreenda o que se quer (ou precisa) de ouvir.

Estarão, por certo, a pensar que não está fácil a compreensão do que “este” hoje quer dizer, mas é mesmo isso. Acho que acontece a todos estar perante situações em que não se sabe o que dizer, para quê dizer e/ou a quem o dizer…

Numa perspectiva mais passadista e menos atenta ao “fenómeno” deste espaço, seria de esperar que este post não passasse sem referir o chavão: «Palavras para quê? É um artista português» e, como não quero defraudar qualquer hipótese de expectativa de alguém que leia o blog, porque dos visitantes que já cá estiveram sei que alguns leram (aqueles a quem fui referindo que já tinha um post novo), aqui fica a afamada citação do spot publicitário.

Já que, pelo que se sabe, «palavras…leva-as o vento», deixo aqui algumas (não minhas, mas do Tordo), na esperança que o zéfiro amaine:
Como se eu mandasse nas palavras
Pediram-me que a dor fosse um sorriso
Como se eu mandasse nas palavras
Disseram-me ser louca sem juízo

Como se eu mandasse nas palavras
Falaram-me que a água era o deserto
Como se eu mandasse nas palavras
Disseram ser o mesmo, o longe e o perto

Palavras não são só aquilo que eu oiço
Não peçam que eu lhes ganhe ou não as sinta
Palavras são demais para o que posso
Não peçam que eu as vença ou que lhes minta

Como se eu mandasse nas palavras
Quiseram que trocasse sol por lua
Como se eu mandasse nas palavras
Disseram que amar-te era ser tua

Como se eu mandasse nas palavras
Queriam que emendasse o que está escrito
Como se eu mandasse nas palavras
Daria agora o dito por não dito